terça-feira, 30 de março de 2010

Desejos Capitais por, Iva Micalosky

“Á vida é Breve, a Alma, Vasta”.
(Fernando Pessoa)


O tema “Os Sete Pecados Capitais” continua atual. O Papa Gregório teve uma boa ideia, baixar uma bula sobre a Preguiça, a Luxúria, a Sabedoria, a Ira, a Inveja, a Avareza e a Gula. A função da Igreja, historicamente, é cuidar da moral, tendo em vistas os mortem, apesar dos contemporâneos desvios da Igreja na América Latina, que teima em olhar pelos menos favorecidos. Leia-se, opção pelos pobres.
No século VI, cada pecado era tratado ao pé da letra. Hoje, vemos os pecados e antevemos os perdões. Em sua terceira exposição utilizando como fundo a nudez, Iva aborda os Pecados Capitais buscando uma reflexão sobre quanto mal de fato causa cada uma destas antigas instituições, tidas como pecados. A Mulher está sempre lá, só ou com seu coadjuvante masculino. A pecadora primordial é quem protagoniza os quadros de pecado.

Entretanto, o que a fotógrafa deseja é repensar o quanto de pecado ainda reside nestes pontos de satisfação pessoal, qual o pecado real em buscar a felicidade através do prazer, especialmente se são prazeres que não fazem mal.

Buscando ilustrações clássicas e trabalhando de forma impecável com a luz de estúdio, a fotógrafa aborda cada tema com energia e até com certo humor, quando fala da Gula, por exemplo ou da Soberba. Mas são sempre as mulheres. Mesmo quando vemos a Luxúria, são elas a seduzir, a induzir o que vai de fato acontecer. Se antes tínhamos o clássico “pecado” capital, Iva vem revertê-lo em prazer, salvação e recriação da Vida.

Quando Iva busca realizar sua arte, é no feminino que pensa e com ele que age. Pois é mais uma vez o seu lado feminino que questiona as paixões ditas mundanas e que também reconhece que "ser Mulher é um prazer, obrigada".

E isto é o que sintetiza a arte, a busca pelas paixões insatisfeitas e a celebração do Belo.
Qual será a próxima surpresa de Iva Micalosky? Talvez venha  nos brindar com as deliciosas “Virtudes” de São Tomás Aquino...

Mara Freire
Curadora



Local
Clínica Lócus
Rua: Raul Machado, 60
Centro – Florianópolis – SC

Informação

48 9102 0309
48 3222 1707
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domingo, 14 de março de 2010

Prestigie

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quinta-feira, 11 de março de 2010

A natureza vira arte pelas mãos de Olíbio

Desde 1974 a fibra que vem do tronco da bananeira ganhou função artística pelas mãos de João Olíbio da Silva. A técnica ele aprendeu sozinho, experimentando os materiais. O tronco da bananeira tem camadas que se assemelham as de uma cebola e a fibra é retirada para a confecção de quadros e objetos de decoração quando já está seca.

Seu Olíbio, natural de Palhoça e morador há 60 anos do bairro Coqueiros em Florianópolis, trabalhava como pedreiro e fazia as obras nos tempos vagos. Saía para vender nas casas e às vezes pensava em parar, mas logo apareciam fregueses e ele recomeçava. “Com o tempo fiquei só fazendo os quadros”, conta.

A peça mais trabalhosa que fez foi o Palácio Cruz e Souza. “Tinha muitos detalhes, é uma peça única que foi encomendada por um deputado”, explica.

No final da década de 70, a cada dois meses enviava para o Rio de Janeiro uma remessa de até 300 peças. Eram expostas e vendidas nas lojas da H.Stern. Assim foi por 13 anos consecutivos. “Trabalhei muito, fiz muitas exposições, hoje estou mais devagar”, fala seu Obílio que já não mais confecciona obras complicadas, como o Hospital de Caridade.

“Do jeito que eu comecei e usando o material que é a bananeira eu consegui chegar até aqui. Eu não tinha estudo, mas queria ser alguém na vida”, diz Olíbio.

Veja a entrevista que Olíbio deu para o Floripa Cultura explicando um pouco do processo ertístico desenvolvido por ele.



Artista: João Olíbio da Silva
Arte: Quadros e objetos com fibra de bananeira
Contatos: www.arteilheu.com.br/arteembananeira
                jolibio@ig.com.br    48 3249.0918 ou 91152742
Rua Flávio Tavares da Cunha melo, 343, Coqueiros, Florianópolis
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quinta-feira, 4 de março de 2010

Trama que transcende gerações

Este post faz parte da série Cultura e Cidadania.

Leia também:
Violinos do maestro Carlos Vieira
Fazendo diferença pelo teatro


Por não ter filhas mulheres dona Rute Silva da Costa , que aprendeu a arte com a mãe aos sete anos de idade, ensinou o crivo para as noras, sobrinhas e diversas alunas que teve ao longo dos 45 anos de trabalho. Lembra que já ensinou o ofício a crianças de sete anos e também para idosas de 75 e 80 anos.


O crivo é feito no linho de onde se tira alguns fios, tanto na largura como no comprimento, até formar uma série de desenhos vazados no tecido.

Rute explica que a execução do crivo requer muita concentração, pois cada ponto tem que ser milimetricamente contado. Além disso, alerta aos principiantes, “a direção que iniciar o desenho deve ser mantida até o final, para não acontecer o que se chama de linha torta, que deixa o trançado diferente”. Apesar da atenção necessária para se fazer um belo trabalho, ela garante que quem aprende a arte nunca mais quer parar.

Há alguns anos, era hábito em Florianópolis as mulheres se reunirem para fazer crivo. Rute lembra que era uma festa, vinham as vizinhas, as cunhadas e as irmãs. Cada uma pegava uma ponta da toalha e em pouco tempo o trabalho estava concluído. Com a mãe e mais quatro ajudantes ela fez uma toalha de banquete com sete metros de comprimento e 48 guardanapos, que está exposta no Museu Cruz e Sousa em Florianópolis.

Há poucos meses fez com a mãe e duas ajudantes uma toalha de cinco metros e 20 centímetros de comprimento, por dois metros e 80 centímetros de largura. A encomenda feita do estado do Mato Grosso levou quatro meses para ficar pronta. Já um trilho de um metro e 40 centímetros de comprimento por 50 centímetros de largura ela faz em um mês.

Preocupada em perpetuar o ensinamento do crivo há oito anos Rute ensina a arte em oficinas gratuitas promovidas pela Fundação Franklin Cascaes, que ocorrem na Biblioteca Pública Municipal Barreiros Filho, no bairro Estreito.

Artista: Rute Silva da Costa
Arte: Crivo
Contatos: 48 3296.2157 ou 3296.2505
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