A proposta eco-social desenvolvida por Bia não conta com patrocinadores, mas nesses anos de funcionamento conquistou o apoio do Sebrae, responsável por abrir portas para a venda dos produtos na loja Casa Catarina e em eventos como a Festa do Pinhão. Também gerou a sensibilização de muitas pessoas e empresas que fazem doações de matéria prima para as peças. “Vamos sendo presenteados por pessoas que sabem que fazemos esse trabalho, num movimento de ajuda mútua”, fala Bia que já ganhou caixas de botões, de zíperes e hoje ganha o refugo da indústria têxtil, que no início era comprado com recursos próprios.
O projeto surgiu no final de 2003. Foi errando o corte de tapetes de tear dos quais fazia jogos americanos, que Bia Gerevine descobriu a técnica do amarradinho, tão usada no Norte do Brasil. Bia não quis descartar as tirinhas coloridas que sobraram do tapete e dando nozinhos em uma tela fez algumas peças para a casa. Logo passou à fornecedora da loja de departamentos Tok&Stok, com seis produtos criados por ela. Como a loja exigia uma produção em grande quantidade ela reuniu algumas mulheres da Lagoa da Conceição, onde mora, interessadas em fazer nozinhos nas horas vagas. Após três anos deixou de fornecer peças para a Tok&Stok e passou a vender em outras lojas e em casa, onde organizava bazares.
A casa virou ateliê e no final de 2009 a mídia descobriu os encantos da arte de fazer nozinhos coordenada por Bia Gerevine, o que lhe proporcionou maior volume de vendas e a oportunidade de montar o espaço comercial Reciclanto, na Rua Laurindo Januário da Silveira, 1350, no Canto da Lagoa em Florianópolis.
No ateliê e loja é possível conhecer as diversas peças desenvolvidas com a técnica do amarradinho e outros trabalhos com reaproveitamento de material, feitos por artistas convidados para lá expor.
Segundo Bia, a parceria estabelecida para a produção, com as mulheres da região, é sazonal. O verão na Ilha, que aumenta a oferta de empregos com a temporada turística, faz diminuir a procura para fazer nozinhos. Seja para complementar a renda familiar ou por terapia o projeto conta com cerca de 50 colaboradoras divididas nas funções de nozeiras, cortadeiras e costureiras.

Marilis Montilla dos Santos, uma das únicas colaboradoras a acompanhar o crescimento do projeto desde o início, começou dando nozinhos e hoje é costureira e co-criadora das peças.
Quando chegou de Curitiba se inseriu no projeto para ter uma renda, devido à dificuldade que encontrou de conseguir emprego. “Os filhos cortavam as tirinha e as meninas e eu fazíamos os nozinhos, mas eles não se adaptaram à cidade e acabaram voltando para o Paraná”, conta Mari. Passou a fazer o amarradinho cada vez mais rápido e o ofício tornou-se também uma terapia. “Acordava bem cedo e fazia o serviço de casa para poder ficar fazendo nozinhos”, lembra. Logo Bia a convidou para ficar responsável pela costura e montagem de moldes passando a criarem novas peças juntas.
Para participar do projeto Fazer e Desfazer Nozinhos basta ter o compromisso de não copiar as peças e ser morador da região da Lagoa da Conceição, já que é a própria Bia que entrega e recolhe o material de casa em casa todos os dias.
As peças podem ser adquiridas em Florianópolis na loja Casa Catarina, no Floripa Shopping e no ateliê Reciclanto, onde é o showroom. Também há pontos de venda em Bom Retiro, Lages, Canela, São Paulo e Rio de Janeiro.

Veja mais fotos no Flickr do Floripa Cultura
Artista: Bia Gerevine e colaboradoras
Arte: Amarradinho
Contatos: 48 32344518 ou 99698103
nozinhos@biagerevine.com.br





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