quarta-feira, 30 de junho de 2010

Escritora da Ilha prepara novo lançamento

“Eu acredito que a literatura é a mãe de todas as artes e que a arte em geral pode salvar muitas vidas. Também acredito que narrar e ouvir histórias são momentos mágicos, como chaves que abrem certas portas secretas do nosso baú intelectual e revelam virtudes em um mundo maravilhoso e mágico que ainda não conhecemos”.
Inês Carmelita Lohn



Inês Carmelita Lohn começou a escrever em 2004, época em que fez o curso de contação de histórias, e hoje tem cerca de 300 contos, 900 poesias e 150 crônicas. Livros editados por enquanto têm dois, Retalhos - Contos e Histórias e Flores e Cicatrizes. Participou também de duas antologias, 6ª Antologia da Associação dos Cronistas, Poetas e Contistas Catarinenses, com quatro poesias e Antologia Nacional de Poesias do Rio de Janeiro, Mares Diversos, Mar de Versos, com uma poesia.

A escritora que veio da roça, por falta de oportunidade parou de estudar aos 10 anos. Aos 50, com uma disposição de dar inveja, completou o ensino fundamental no Colégio Getúlio Vargas, no Saco dos Limões, em Florianópolis, em 2006. Em 2008 termoinou o 2º grau pelo SESC de Florianópolis. "Preparei um vestido muito lindo para essa formatura e desde o momento que o coloquei até o final eu chorei. Quando levantei aquele canudo, me senti de alma lavada. Dedico ele a todas as pessoas que me recriminaram, que acharam que era tempo perdido, dinheiro jogado fora”, desabafa Inês, que se orgulha de ter o ensino médio. Conta que no segundo dia de aula decidiu escrever e fez Retalhos – Contos e Histórias, o primeiro livro, em quatro meses.

Contadora de histórias, Inês Carmelita participa a seis anos de um grupo voluntário de contação pelo NETI, Núcleo de Estudos da Terceira Idade da Universidade Federal de Santa Catarina. Foi nessa época que conheceu Zé Manoel, coordenador do grupo, e fez a faculdade de extensão Monitores em Ação Gerontologica com duração de três anos.

Nesses anos em contato com crianças carentes, os adolescentes foram os que mais lhe motivam. Segundo ela, quanto mais rebeldes maiores os desafios e mais frutos ela colhe, como acompanhar a melhora no aprendizado das crianças.

No Colégio Estadual Prof. Henrique Stodieck,no centro da cidade, inaugurou uma sala de leitura para estender um trabalho que vinha desenvolvendo na Biblioteca Pública Estadual há um ano e meio, como voluntária em um grupo da UFSC. No colégio faz contação e história e a arte narrada. Faz leituras e induz as crianças a desenvolver o gosto pela leitura.

As histórias que a escritora da Ilha conta têm temas sociais e de interesse público, como o cuidado com a natureza e as temáticas são trabalhadas dentro da realidade daquele público determinado.

No livro que está pronto para ser lançado, Rafael – Grito de Alerta, Inês toca em temas polêmicos e atuais como assédio sexual, pedofilia e drogas. Acha importante, por meio da literatura, mostrar formas de expressão que crianças e adolescentes possam se apropriar para então denunciarem essas formas de violências. Para Rafael– Grito de Alerta não conseguiu apoio na edição. “As portas não se abriram. Ter uma obra pronta nas mãos e não ter apoio é tão desgastante quanto correr atrás de patrocínio”, fala Inês, que nesta busca já sofreu discriminação pelo grau de escolaridade e situação social. Junto com o lançamento do livro Rafael vai lançar A Gaivota Solitária, com 500 pensamentos. Também em andamento está o livro Severino, o menino pobre, já com cerca de 40 mil palavras escritas.

Encerra a entrevista ao Floripa Cultura com uma declaração.
“Quero alcançar o número de livros da minha idade. Quando fizer 60 anos se tiver 60 livros editados terei completado minha meta. Quero salvar vidas por meio da literatura, que considero a arte maior. Vou fazer tudo o que puder para mudar a situação da arte em Santa Catarina, para que os novos talentos que estão surgindo em todas as áreas possam ter oportunidade. O estado não dá oportunidade e sem ela ninguém vai saber que a Maria existe ou que a Inês Carmelita Lohn existe. Novos valores têm que entrar no mercado, a arte da literatura tem que ser renovada.”

Para quem quiser comprar o livro Retalhos pode ir à Livrarias Catarinense. Já o Flores e Cicatrizes está disponível nas livrarias, Saraiva e Livros e Livros e Catarinense ou diretamente com a escritora.

Artista: Inês Carmelita Lohn
Arte: Literatura
Contatos: ines.lohn@hotmail.com
               (48) 3333.7404 ou 9977.9045

10 comentários:

Susana on 30 de junho de 2010 12:17 disse...

Compartilhar da amizade e das letras com Inês Carmelita Lohn é uma imensa alegria. Exemplo de determinação e de vida, ela nos conduz às mais diversas emoções quando lemos suas poesias, contos,romances,etc... Belíssima matéria sobre a vida e obra desta escritora. Parabéns!!
Susana Zilli de Mello - Escritora.

Mário Motta disse...

Uma pessoa iluminada. Parabéns.

Mário Motta - RBS TV

betyossig on 30 de junho de 2010 20:20 disse...

Amiga !
Voce é uma guerreira , luta por tudo que acredita sem medo dos obstaculos , uma vencedora ...Parabens!!!!!!!!

Floripa Cultura on 1 de julho de 2010 10:59 disse...

Foi realmente uma grande alegria conhecer e entrevistar esta artista das palavras.

Câmara Catarinense do Livro disse...

Parabéns!

ESCRITORA SIMONE DE JESUS on 7 de julho de 2010 11:43 disse...

Ja te admirava muito, como escritora.Encantadora que és. Mas me emocionei com tua história, com tua garra e comprometimento. Orgulho e exemplo dessa Literatura Catarinense. Beijos.

Gilka disse...

Parabéns, Inês!

Anônimo disse...

Uma mulher de valor.

Pelicanaesther on 18 de setembro de 2010 21:49 disse...

Inês,
que bom ver essa reportagem tão bonita contando as tuas conquistas... é mais uma! Parabéns e segue em frente com muita felicidade.
Tudo de bom,
Ana Esther

Maria Odete Olsen on 20 de setembro de 2010 11:07 disse...

Inês,
fiquei impressionada com a sua história e te parabenizo por isso. Vai ser um prazer para mim entrevistá-la hoje no Educação e Cidadania News,às
12:30hs na Record News. Abraços

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