“A música é colorida, sonora, brilhante, atuante e vibrante”, Eliana Taulois
Dentre as composições de Eliana Taulois o Hino do Colégio Aplicação ganhou novo fôlego com o lançamento do documentário "Memórias do Colégio". Para o CD que está para lançar a cantora, compositora e instrumentalista conta com o filho para a direção musical, arranjos, mixagem e masterização das músicas.O Filho que já segue a carreira artística é tecladista, tem uma empresa de produção musical e é técnico da banda John Bala Jones.
Fã número um da música autoral, Eliana Taulois, passou a infância no bairro Estreito, em Floripa, e hoje mora nos Ingleses para ficar perto da praia.
Precedentes artísticos a compositora teve de sobra. A avó era concertista de piano já aos 16 anos de idade. O avô materno tocava violino. O pai ia de pandeiro, tocava como ninguém e foi com ele que aprendeu a gostar de jazz. Aos 15 anos Eliana trocou o tradicional baile de debutantes no clube 12 de Agosto por uma bateria Pingüim, toda branca perolizada. Conta que colocou a bateria no meio da sala e começou a tocar. Teve um grande mestre catarinense de bateria, Toicinho. Lembra que na época tentou montar uma banda de baile, mas logo descobriu que não era o que queria. A arte, a produção e a mensagem musical se mostraram mais importantes que o aspecto comercial.
As influências musicais não se limitaram à família. O folclore de Florianópolis também é muito presente em suas composições, como se pode ver na música O Mar é da Sereia. O peixe com farinha, a festa da tainha, a Maricota e a bernuncia são signos da Ilha imortalizados pela artista, que você pode conferir aqui:
Na opinião de Eliana o folclore andou se atrapalhando um pouco pela vontade das pessoas de mantê-lo intocado, “mas a gente que tem essa coisa da terra, de gostar da farinha, do peixe, tem que dar uma roupagem nova e fazer com que ele evolua, apareça e não deixe de crescer”, enfatiza a artista que vê na música uma boa forma de fazer isso acontecer.
A MPB também marcou a carreira. Na época da repressão, da ditadura, participou de um show em homenagem aos direitos humanos que se realizou no MAM do Rio de Janeiro onde dividiu o palco com músicos renomados como Chico Buarque de Holanda, Jorge Mautner, Gal Costa, Jards Macalé, Raul Seixas e Edu Lobo.
“Foi um show bonito, mas muito difícil de ser feito”, lembra a cantora. Toda a polícia de choque estava de prontidão e havia muitos estudantes, em uma época em que a UNE tinha voz ativa. Todos os artistas foram chamados a sentarem numa mesa lindíssima, toda de jacarandá e a Polícia Federal colocou sobre ela as músicas que seriam tocadas e quais seriam censuradas. Modas de viola de um cego infeliz, de Edu Lobo, foi uma das músicas que deixaram de ser apresentadas no show, conta a artista.
Eliana subiu ao palco para cantar Maracatú Atômico com Jorge Mautner. A música misturava os ritmos maracatú e salsa e foi vaiada pelos estudantes, que tinham uma proposta de tudo ser muito político. “Naquele momento peguei o microfone principal e enquanto Jorge ficou acanhado eu joguei a voz inteira chamando aquele povo. Atrás do arranha-céu, tem o céu, tem o céu, e depois tem outro céu sem estrelas. Eu consegui reverter a situação”, lembra emocionada das 5 mil pessoas aplaudindo.
Artista: Eliana Taulois
Arte: Cantora, compositora e instrumentalista
Contatos: etgf2249@yahoo.com.br
sexta-feira, 25 de junho de 2010
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