quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Pesca artesanal registrada em fotos


Para Mara Freire, fotografar é uma forma pessoal de apreender o mundo, sendo a fotografia uma dupla reflexão: da imagem vista e do pensamento que a re estrutura. “Nada existe visualmente se não for à luz, que bate nas coisas e reflete para a objetiva ou para a retina dos olhos. Então você tem a reflexão do mundo, que você ainda pode olhar e pensar”. Filosofa olhando um negativo antigo de vidro e se perguntando: Quem é esse homem no negativo? Quem é esse homem? Quem dispensou essa foto?

Assim é Mara Freire, uma fotografa que faz da imagem sua filosofia, onde cada recorte do mundo pode ser discutido e conceitualizado. Ou, simplesmente, apreciado.


No começo da sua carreira, queria aprender um pouco de cada fotógrafo, ainda não tinha um estilo definido. Percebeu que fotografia de natureza, seu primeiro curso, não era o que queria. “Quando foi fotografar o Pantanal, procurava o caboclo, o pantaneiro, o sertanejo e seu violão”. Em Porto Alegre, era a urbanidade que lhe interessava. O pôr-do-sol do Guaíba estava sempre ali, mas ela queria ver pessoas nessa paisagem. “Vi que gente era feita para fotografar, todo o resto era igual, como um objeto na foto”, explica.


E foi a partir desses princípios que surgiu a idéia de fazer um Dicionário Visual, onde a história fosse registrada através da seqüência alfabética. Neste momento parou para pensar em que lugar no planeta ela poderia construir este projeto. De férias em Florianópolis, Mara conta que era um dia em que soprava o Sul, vento de extremos, frio idem. Lá no Pântano do Sul, no bar do Arantes, conheceu alguns pescadores, conversaram e beberam umas cachaças, mas não tinha acontecido o momento.


Depois de algum tempo, andando pela praia do Campeche foi que seu coração bateu forte: “vi uns homens consertando as redes, a contra luz que me chamou atenção”, descreve Mara, que começou a humanizar o trabalho conhecendo o mestre Getúlio, patrão da embarcação. Um pescador que percebeu que a pesca artesanal estava acabando, porque só os mais velhos conheciam as técnicas. E foi depois dessa conversa que a decisão foi tomada, “é aqui que meu projeto vai acontecer”.

Foram alguns outonos, dunas, lanços, fotografando para formar a pesca da tainha de A a Z. A letra mais difícil foi o X, mas ela conseguiu tirar de letra dentro de um mercado público quando descobriu um peixe chamado Xaréu. Floripa Cultura esteve lá com a Mara e conseguiu parte do dicionário para vocês conhecerem.

Vejam um pouco do Dicionário Visual de Mara Freire.





Artista: Mara Freire
Arte: Fotografia
Contatos: marafreire32@gmail.com.br
fotomotriz.blogspot.com

1 comentários:

Gui Ricci disse...

Olha só,o que eu encontro se eu procuro "Objetiva olho de peixe" no google imagens!
Que coincidencia bacana!
Parabéns, Mara. Sou um grande fã e essa apresentação de pesca artesanal ficou sensacional!

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